Fundação Paz no Esporte visa acabar com violência em estádio

Rio Claro, SP, 09 (AFI) – O ex-coordenador executivo da comissão do projeto “Paz no Esporte”, Marco Aurélio Klein (foto), que é especialista em marketing esportivo e professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV), ministrou uma palestra no Fórum de Debates sobre violência nos estádios brasileiros em Rio Claro neste final de semana e durante o evento afirmou que não tem a intenção de abandonar o projeto, o qual acredita muito.
Marcou Aurélio Klein foi designado pelo ministério do Esporte para coordenar o Projeto Paz no Esporte e ao lado da Federação Paulista de Futebol e do Ministério Público começou sua cruzada para acabar ou pelo menos, em primeiro momento, diminuir sensivelmente o pesadelo da freqüente onda de violência nos estádios nacionais.

 

Durante dois anos Klein lutou com sucesso contra a situação e conseguiu ao lado dos parceiros a criação do Gecrim. Uma delegacia que resolve os problemas na hora e dentro do próprio estádio. Também conquistou o direito de fazer o cadastramento das torcidas organizadas, que só adentrarão aos estádios de futebol depois de estarem regularizadas com um cartão com nome, CPF, endereço, foto e até tipo sanguineo, podendo este torcedor ser identificado em caso de criar problema. E também a criação do cargo de gerente de segurança em clubes que deverão contar com câmeras para monitorar todos os movimentos dos torcedores dentro e fora dos estádios.
Porém o Projeto já indicava que nos primeiros dois anos o comando seria do Ministério do Esporte, que se alternaria no mesmo período com o Ministério Público. Passados os dois anos sob sua coordenação, Marco Aurélio Klein, ao deixar seu posto, resolveu criar a Fundação “Paz no Esporte”, uma ONG que continuará acompanhando os trabalhos.
”Optei por manter o mesmo nome já que tivemos esta idéia e ela deu certo. Acredito no que já foi feito e no que virá pela frente. Tenho a certeza que ao lado de pessoas idôneas, conseguiremos acabar com esta situação e diminuir ou até acabar com a violência nos estádios brasileiros”, falou Klein que complementou. “Se no futebol inglês deu certo, aqui nós também conseguiremos”.

estadio_001_200x150.jpg
Marco Aurélio Klein citou os resultados positivos do Projeto dentro do que já acontece em Barueri, onde o estádio recém-inaugurado, a Arena Barueri (foto), que tem uma parte destinada à torcida que fica nas cadeiras sem qualquer tipo de obstáculo (alambrados ou muros) e que até o momento não indicou nenhuma invasão de público em cinco rodadas já disputadas pelo Brasileiro da Série B.
”É um projeto modelo que temos que seguir e que mostra que aos poucos todos vão tomando consciência da situação, e que é possível ir ao estádio sem correr o risco de sair ferido ao término de uma partida”, finalizou o ex-coordenador do projeto “Paz no Esporte” e fundador da “Fundação Paz no Esporte”.

(Jaqueline Vieira)

maio 28, 2008 at 10:15 pm Deixe um comentário

RECORDAR PARA REFLETIR

No dia 07 de outubro do ano passado, O jornal O POVO publicou a matéria especial intitulada: Com as próprias mãos. A repórter, Ana Mary Cavalcante, usa o livro Guerra Civil – Estado e Trauma, do autor Luís Mir, como gancho para abrir a discussão das origens de uma violência urbana cada vez mais crescente.
Trechos da matéria:
“Vivemos em condição de guerra civil (aqui entendida como a resolução dos conflitos por meios que não os socialmente reconhecidos, justamente, pelo fracasso dos mecanismos legais reguladores). O Brasil acumula 500 anos de segregação e, ao apartar populações filhas de uma mesma Pátria, cria um imprevisível barril de pólvora”.
“´Estamos em uma guerra civil não declarada. Porque temos uma luta de classes não estabelecida´, avalia Ronaldo de Melo Bastos, delegado-corregedor da Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS). Ele destaca, como elemento fundamental da violência urbana brasileira, ´a falta de esperança e de perspectiva da juventude´. A exclusão provoca o surgimento de facções, gangues ou do que Bastos denomina ´reunião de desilusões´”.
“Na cabeça, uma sentença: ´Não tenho nada a perder. Essa cidade não é minha, esse bairro não é meu. Portanto, vamos destruir. Isso tanto pode ser com o jovem da periferia, como com o da classe média. É um fenômeno de um tempo onde se perdeu um vínculo com a cidadania – o vínculo com a cidade, de fazer parte da memória, da história, de um bairro, de um povo´, amplia a autora, Glória Diógenes, de Cartografias da Cultura e da Violência – Gangues, Galeras e o Movimento Hip Hop”.
O que tudo isso tem a ver com futebol? Tudo!
O esporte não é uma esfera à parte da vida comum. E, ao contrário do que pensa a maioria, o futebol não é um atenuante de tensões. O jogo em si possui um caráter antropológico que está ligado diretamente às emoções. Quando essas emoções unem-se com outras, extra-campo, o resultado é uma equação complicada e brutal.


As cenas vistas ontem no Castelão são apenas reflexos do que já vivemos no cotidiano. Com um agravante: O estádio torna-se ponto comum de diversas decepções, angústias e problemas de todas as naturezas que desembocam em uma “arena romana”, como bem comparou Graziani. As torcidas organizadas-uniformizadas são gangues travestidas de amantes do futebol, que possuem nos gritos e nas roupas uma forma de identificação.
Claro que as medidas para conter a violência nos estádios precisam ser tomadas em conjunto. Porém, fica uma sugestão: Que as autoridades proíbam a entrada de torcedores uniformizados nos estádios. E por um simples fato. Como em toda guerra, o inimigo é reconhecido pelo uniforme e pelas bandeiras utilizadas. Quando dificulto a identificação, dificulto o tumulto. Isso já foi testado, e bem, em outros estados do país.
A medida, sozinha, não irá resolver, mas pode servir como um primeiro passo para uma batalha que a sociedade vem perdendo de goleada.

(Jaqueline Vieira)

maio 28, 2008 at 9:56 pm Deixe um comentário

A violência do ponto de vista extrínseco

É sabido de que um dos principais fatores que contribuem para a violência no futebol seria a presença das torcidas organizadas, que muitas vezes vão ao estádio para protagonizar cenas de violência, em vez de apoiarem seu clube a sair vitorioso da partida. Esses torcedores são identificados pela sociedade como vândalos, que provocam momentos de terror em todos os expectadores que vão ao estádio para apoiarem seu clube de coração.     Em seus estudos, Pimenta relatou que a mudança de comportamento do torcedor nas arquibancadas modificou-se consideravelmente dos anos de 1980 pra cá. Para esse autor, isso aconteceu devido ao surgimento de configurações organizativas com característica burocrática/militar, fenômeno esse essencialmente urbano, que criou uma nova categoria de torcedor, ou seja, “torcedor organizado”.     Outro fator que vem contribuindo para a ascensão da violência nas arquibancadas seriam os meios de comunicação, devido ao grande sensacionalismo com que vinculam suas informações e produzem a impressão de o fato ter proporções muito maiores do que realmente aconteceu.     Em sua pesquisa, Rech relatou a existência de outro exemplo de agressividade: os comportamentos por toda a cidade para comemorar vitórias em campeonatos e torcedores acabam jogando objetos em atletas e árbitros, além de ser encontradas armas em jogos de futebol que pertenciam as torcidas organizadas. Fatos como esses acabam comprometendo o espetáculo e, ainda, colocando em risco a vida de muitas pessoas.     Nos estudos de Perrusi foram encontradas três posições teóricas que definem o futebol como uma instituição que sublima a violência, através da própria violência simbólica, afirmando que o futebol seria uma “guerra feita por outros meios” e, ainda, teorias que continuam a tradição da psicologia social de criminólogos e psiquiatras do final do séc XIX, que julgam o futebol como degradação social, em que os torcedores seriam vistos como uma “horda” primitiva, anárquica e caótica, sendo toda violência possível e temida.     A primeira posição teórica é de que o futebol é “pão e circo” e significa nesse sentido, “apaziguamento das massas”. Segundo aquele autor o futebol enquanto “pão e circo” seria uma espécie de ópio que iria anestesiar os torcedores, desviando-os, assim, das mazelas cotidianas e de uma conscientização política da realidade. Dessa forma, o futebol iria produzir uma “despolitização” das massas, fazendo, assim, parte do aparato simbólico de dominação das “classes dominantes”. Enquanto “pão e circo”, o futebol iria fazer parte das várias formas de “violência simbólica” que alienam todos os torcedores.     A segunda posição teórica relatada pelo citado autor seria a teoria da catarse, que foi identificada como a teoria de “purificação” ou de “sublimação” de algumas potencialidades humanas, a exemplo, a violência. Aquele mesmo autor relatou que existem várias teorias que se nutrem do paradigma da teoria da catarse. Dessa forma, foram divididos em dois grupos principais: as teorias “terapêuticas” da catarse e as teorias “perpetuadoras” da catarse. No primeiro caso, as teorias “terapêuticas” seriam otimistas, o que implica que o torcedor sairia do jogo, pelo menos durante certo período, sublimado da violência, enquanto as teorias “perpetuadoras” seriam pessimistas, pois não seria garantido que o torcedor sairia do jogo purificado da violência, sendo o mínimo que se garanta a realização simbólica da violência potencial ou real do torcedor. Tenta-se prevenir, dessa forma, o risco da explosão concreta da violência, o que poderia colocar em risco o meio social.     A terceira posição teórica citada pelo mencionado autor é considerada a mais preconceituosa em relação ao futebol e atualmente a mais popular talvez pelo recrudescimento em relação aos estádios. Essa posição teórica é conhecida como “demonização” da multidão. Seria como se o indivíduo, por estar na multidão, perdesse sua individualidade e sua identidade, pois seria vítima de uma fusão entre sua personalidade e os torcedores. O resultado desse processo é aterrador: o indivíduo perde sua razão, afasta da “civilização” e acaba se inundando de “instintos básicos”, principalmente os mais pavorosos, a começar pela violência. Sociologicamente, segundo Perrusi “a multidão horda ensandecida” seria uma interpretação de tipo irracional da ação coletiva. Ainda que se possam conceber determinadas ações coletivas irracionais, quase sempre tal ação é coletiva, até mesmo quando termina a violência.     Outro fator que vem preocupando a todos da sociedade é que a grande parte de “torcedores” envolvidos em brigas e agressões nos estádios de futebol é de adolescentes, e isso mostra que a escola junto aos pais tem sua importância para amenizar o índice de violência nos estádios, uma vez que cabe também aos nossos governantes se conscientizarem do seu papel, melhorando a infra-estrutura dos estádios, reforçando a segurança e punindo os vândalos que vão ao estádio para provocar momentos de terror entre vários torcedores apaixonados pelo futebol, entre outras medidas cabíveis.     Pimenta relatou que as causas da violência não podem ser atribuídas exclusivamente às questões sociais ou a fatores estritamente econômicos. Esse autor ressaltou que, na composição das torcidas organizadas, existem uma pluralidade de “agentes” que assumem diversos papéis na sociedade, como: estudantes, pais de família, mulheres e jovens, além de pessoas que respondem aos processos criminais e viciados em drogas.     Todo ser humano é movido pela emoção, e essa paixão do povo brasileiro pelo futebol acaba acarretando uma explosão de alegria e, ou, tristeza, dependendo do resultado da partida e, a forma de expressar seus sentimentos tem sido, principalmente pelas torcidas organizadas, a agressão física à torcida adversária e até mesmo ao torcedor do mesmo clube, fato esse também muito observado nos jogos de futebol.     Pimenta relatou quais seriam as principais causas da violência entre as torcidas organizadas. A saber: má distribuição de renda; exploração dos dirigentes esportivos e líderes de torcida; efeitos da criminalidade; ausência, nos jovens de expectativas de futuro; ausência do Estado, enquanto mentor de políticas públicas de formação social; efeitos da pobreza; entre outros.     A violência nos estádios de futebol, deveria ser tratada com mais responsabilidade pelas autoridades, uma vez que o futebol é o esporte mais praticado pela sociedade brasileira e considerado, por todo o mundo, como um grande espetáculo desportivo, sendo o Brasil conhecido, inclusive, como o país do futebol. A conscientização das autoridades sobre a gravidade do assunto seria o primeiro passo para que os torcedores voltem a ter segurança nos estádios.

(Jaqueline Vieira)

maio 28, 2008 at 9:50 pm Deixe um comentário

Uma análise do ponto de vista intrínseco

Não existem muitas evidências mostrando que a violência ocorre do próprio futebol, uma vez que os jogadores são submetidos a uma série de regras e normas que, quando infringidas, podem ser severamente punidas pelas instituições que regem o futebol.

    Neste artigo, porém são mostrados alguns casos de violência que já ocorreram dentro do futebol, envolvendo jogadores, arbitragem e até a própria comissão técnica da equipe envolvida no jogo.

    No dia 14 de abril de 2005, durante o jogo entre São Paulo e Quilmes ocorreu um episódio muito triste envolvendo o atacante Grafite, do São Paulo, e Desábato, do time argentino. Silva relatou que o episódio teve seu início após uma “entrada” forte do Grafite em Arano. Logo em seguida, o jogador Desábato aproximou-se do brasileiro e proferiu várias palavras de cunho racista. Após o término do jogo, o atacante Grafite denunciou Desábato para a polícia, que em seguida deu voz de prisão para o argentino, dizendo: “Ninguém está inventando nada. Tudo isso está previsto na Lei. Isso pode servir de exemplo não só para o futebol, mas para todo o mundo, afirmou o delegado Oswaldo Gonçalves, responsável pela prisão do jogador” (O Estadão, SP, 14/04/2005).

    Para Werthein, o futebol, além de mobilizador das massas, é modelador de comportamentos e formador de opinião. Nesse sentido, esse autor relatou que é inconcebível o que aconteceu na final do Campeonato Carioca de 2004, quando jogadores, técnicos, dirigentes e árbitros se agrediram fisicamente, além de outros profissionais, que proporcionaram cenas que desprezavam praticamente todas as regras de convívio e tolerância, provocando uma situação de “guerra urbana” vivida no cotidiano pelo povo brasileiro. Isso somado ao fato de que o jogo estava sido visto por milhares de pessoas pela televisão e por 80 mil torcedores que estavam no estádio, e os torcedores são, sobretudo, apreciadores do futebol como um esporte relacionado à arte, à cidadania e à construção de uma cultura para a paz. Esse mesmo autor relatou, ainda, que tais torcedores deveriam exigir que seus ídolos passassem a adotar uma conduta de tolerância, cooperação e responsabilidade em campo para que, dessa forma, o Brasil possa resgatar a beleza de arte pela qual o país seja elogiado e respeitado por todo o mundo.

    Sobre esse aspecto, na opinião de Leitão e Tubino, devido à violência que tem sido exercida pelos jogadores de futebol, muitas vezes a técnica e a tática desportiva acabam sendo desprezadas. Com isso, o interesse pela agressividade é bastante sintomático. Para esses autores, a exigência não sobressai na técnica, ela gravita na possibilidade da fuga da realidade. Assim, à medida que as agressões vêm ocorrendo, os torcedores acabam liberando seus impulsos.

    Não resta dúvida de que existem vários outros casos de violência envolvendo jogadores, dirigentes e comissão técnica que exemplificam a violência no futebol do ponto de vista intrínseco. Porém, recentemente, um fato chamou a atenção em todo o mundo, durante uma partida envolvendo Sport (PE) e América (RN) pelo Campeonato Brasileiro, no dia 17 de junho de 2007, quando o técnico americano Lori Sandri saiu de campo algemado por desacato a autoridade. Fato como esse, mostra que cabe não só aos jogadores, mas principalmente a todos os profissionais militantes no futebol, entenderem melhor o significado da palavra respeito.

 

(Jaqueline Vieira)

maio 28, 2008 at 9:48 pm Deixe um comentário

A violência nos estádios de futebol

    O futebol como desporto é considerado por muitos a grande paixão popular e caracterizado pela crítica desportiva como o maior fenômeno social dos últimos anos. Essa afirmação é fácil de ser observada ao se analisar o amor que os torcedores têm pelo seu clube.

    Porém, há certo tempo que uma inquietação vem incomodando o dia -a- dia de todo torcedor apaixonado por futebol: o caso da violência presente cada dia mais nos estádios. Esse fato tem afastado o torcedor do estádio, que vem optando por, várias vezes, assistir aos jogos em casa, diante do conforto e, principalmente, distante da violência.

    Não resta a menor dúvida de que o futebol é um esporte em que ocorre muito contato, muitas vezes até de forma bem agressiva, que pode acabar acarretando em agressividade física, o que caracteriza, dessa forma, o futebol como um esporte violento. O futebol como meio de expressão de identidades nacionais ou locais tornou-se tema comum de ensaio e pesquisa no que se refere à canalização de algumas formas de agressividade que têm ocorrido num jogo de futebol não precisamente dentro do campo, mas em todo o estádio, sobretudo nas arquibancadas, o que, de certa maneira, está imbuído no contexto desse esporte. Nessa perspectiva, várias foram as reflexões sobre a interferência da violência registrada no ambiente futebolístico, tomando-se como referência as aqui citadas.

    Nas análises de Paim e Strez, no momento em que uma pessoa participa de uma torcida organizada, ela está sendo constituída de situações de expansão de várias emoções, muitas vezes reprimidas pelo meio social do cotidiano. Desta forma, é diante da torcida que essa pessoa demonstra sua identidade e começa a manifestar e agir de maneira que não faria isoladamente, colocando para fora todo sentimento de impotência e frustração pessoal, que foram diluídas no coletivo das arquibancadas.

    Sobre esse aspecto, Filho observou que, tomado como manifestação cultural, o futebol apresenta dimensões positivas ligadas ao espetáculo e à motivação e alegria de várias pessoas. Porém, esse autor relatou que o futebol também tem trazido a violência, em que parte integrante dos noticiários esportivos vem mostrando que, tanto no campo, entre os jogadores, quanto na arquibancada, entre os torcedores, vem ocorrendo um índice muito alto de violência.

    Uma das formas mais cruéis de violência no futebol, presente tanto no campo quanto nas arquibancadas, é o racismo, que por sinal existe desde os primórdios do futebol, quando somente brancos e ricos aristocratas podiam praticar esse esporte.

    Dando ênfase a essa afirmação, Figueiredo relatou que, na década de 1920, o futebol era considerado esporte de elite, praticado somente pela classe dominante; negros e mestiços não poderiam sequer fazer parte dos quadros de jogadores de grandes clubes. Os atletas negros e mestiços participavam somente de alguns clubes do subúrbio, como o Vasco da Gama, que, segundo o citado autor, estava preparando sua equipe para desestabilizar a hegemonia das classes dominantes. Tal fato ocorreu em 1923, quando o Vasco disputava pela primeira vez o campeonato carioca da primeira divisão, sagrando-se campeão com uma equipe composta por jogadores negros, mulatos e brancos de origem humilde.

    Silva e Votre relataram que a mídia tem influência muito grande no caso do racismo. Segundo estes autores, toda vez que o Brasil não consegue obter sucessos em competições importantes, todos tendem a procurar um culpado para justificar a derrota, e geralmente, através da mídia, a culpa é atribuída a jogadores negros.

    Entretanto, para Leitão e Tubino, a agressividade está presente em nossas vidas desde as origens do mundo e da nossa história. Acreditam que a violência constitui um componente essencial da vida humana e, ainda, está inscrita no coração do homem e no ser do mundo.

    Por sua vez, Daolio relatou que a violência exacerbada dos torcedores não poderia ser entendida de forma simplista, uma vez que está presente a manifestação de alguns marginais, pois segundo esse mesmo autor, é dessa forma que alguns jornalistas tratam o assunto. Ainda de acordo com esse autor, essa violência constitui a expressão da sociedade brasileira por muitas vezes reprimidas em outras ocasiões. Nesse sentido, eis a seguinte questão: o que vem acontecendo com a sociedade brasileira ultimamente que tem gerado tantas expressões de violência nos estádios de futebol?

    Dentro desse contexto, na busca de identificar e analisar os motivos que estejam contribuindo para a situação do florescimento da violência, Machado relatou que para alguns estudiosos são instintivas as tendências agressivas. Já para outros a agressividade é resultante de determinada situação, em que a reação agressiva ocorre em relação à frustração e diante de uma tentativa de vencer obstáculos na busca do prazer. Ainda segundo esse autor, a violência que vem acontecendo nos meios esportivos acaba atingindo a popularidade do esporte. Dessa forma, quando há um torcedor se expressando de forma ilimitável, toda a sua agressividade acumulada pode ter sido originada não da situação do jogo, mas, sim, do meio social.

    Perrusi analisou a agressividade por dois meios: violência no esporte ou violência do esporte. Para ele, se há “violência do esporte”, seria alegar que a violência é intrínseca, ou seja, seria constituinte do conteúdo esportivo do próprio futebol, mas se há “violência no esporte”, o motivo seria extrínseco, de fora para dentro, trazido de outro meio, seja por crise econômica, seja por racismo ou qualquer outra coisa.

    (Jaqueline Vieira)

maio 28, 2008 at 9:46 pm Deixe um comentário

Torcedor morre esfaqueado em briga de torcidas na Bahia

Um torcedor morreu e outros cinco ficaram feridos em uma briga de torcidas de dois times de futebol amador. A partida foi realizada na Zona Rural de Serrinha, na Bahia, no domingo (25).

A vítima tinha 21 anos morreu após levar uma facada. Todos os feridos foram levados para o hospital e depois liberados.

Para controlar a confusão que durou cerca de três horas, a polícia de Serrinha precisou pedir ajuda aos policiais dos municípios de Teofilândia (BA) e Barrocas (BA). Ninguém foi preso. A polícia ainda não tem suspeitos de matar o torcedor.

( Ana Paula )

maio 27, 2008 at 11:31 pm Deixe um comentário

Torcedor corintiano leva pedrada em Natal

Um torcedor do Corinthians acabou levando uma pedrada na cabeça antes da partida do time paulista contra o ABC-RN, no Estádio Frasqueirão, em Natal, neste sábado.

Corintiano segue para o ambulatório após levar pedrada no Estádio Frasqueirão

Sangrando muito, o corintiano, que não quis se identificar, foi levado para um ambulatório no local pela sua acompanhante e perdeu parte do jogo. Ele foi agredido na porta do estádio. Com um grande número de adeptos na capital do Rio Grande do Norte, o Corinthians conta com um bom apoio da torcida, que ajudou a encher o Frasqueirão.

(Publicação André Souza)

 

maio 24, 2008 at 8:39 pm Deixe um comentário

Posts mais antigos


Categorias

  • Lista de blogs

  • Feeds


    Seguir

    Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.